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sábado, 22 de abril de 2017

Quintas e Lugares de Travanca de Lagos





Quinta das Mercês 
Antiga Quinta da Via de Lagares

- A história possível e uma possível interpretação da história


fig.1 - Casa da Quinta das Mercês - pormenor
A quinta da Via de Lagares, nome por que era conhecida a célebre Quinta das Mercês até ao início do séc. XX, foi outrora uma bela e próspera propriedade agrícola, encontrando-se atualmente muito repartida e a sua casa residencial em estado avançado de ruína. Situa-se numa encosta na vertente norte de Travanca de Lagos, mais precisamente, quando se desce para Lagares da Beira. A Quinta acompanha a estrada pelo lado esquerdo, desde a cortada para a Quinta da Bica, até ao rio Cobral, embora a estrada atravesse a quinta na extrema sul (fig.2).

fig. 2 - Carta militar  de Travanca com destaque da Quinta a roxo
Tinha cerca de 16 hectares e era constituída por terras de cultivo, pinhais, mato e vinha. Para além da sua terra fértil, a mina de água existente na quinta, com o seu enorme tanque de granito repleto todo o ano, permitia-lhe grandes culturas e grandes colheitas. Anexos, mas dela fazendo parte, existiam também moinhos de água junto ao rio Cobral, conhecidos por Moinhos da Quinta da Via, com casas anexas onde residiram os moleiros e suas famílias ao longo de muitas gerações (fig. 3 a 7).


fig. 3 e 4 - Quinta das Mercês , pormenores da paisagem
fig.4

fig. 5 -  Mina e tanque de água


fig.6 - Extrema norte junto ao rio Cobral


fig.7 - Moinho de água e residencia  anexa

O nome original da quinta da Via de Lagares estará relacionado, como o nome indica, com uma via romana que, passando junto à quinta, continuava depois por Lagares da Beira. Hoje é um caminho secundário, de serventia, estando a calçada romana tapada desde que o caminho sofreu obras de alargamento, supostamente, para melhorar o acesso em caso de incêndio. Uma parte da calçada romana da encosta de Lagares está visível e identificada com uma placa de sinalização. Poderia ser um simples caminho vicinal ou ser parte da via que ligava Bobadela a Viseu.

A história desta grande propriedade começa há muitas gerações atrás, num passado já longínquo, mas disso não há memória e os registos que nos chegam são muito limitados para a datar com precisão. Só a partir do fim do séc. XVlll é que aparecem os primeiros documentos paroquiais a referi-la como residência de alguém, situação que não acontecia anteriormente em que apenas se referiam à freguesia, não sendo tão explícitos com a morada. Desde essa época até à actualidade, a quinta terá pertencido a 3 famílias. Até ao início do séc. XlX, foi, provavelmente, pertença da família Mendes Monteiro, de Lagares da Beira, do séc. XlX até ao primeiro terço do séc. XX, terá sido da família Brito ou Pinto de Brito e, embora dividida, desde os anos 30 até à actualidade da família Marques Fernandes, de Lagares da Beira.

Assim, em 1780 aparece o primeiro documento paroquial a referir-se à quinta da Via de Lagares. É um assento de óbito de Violante Maria, referida como criada do padre José Cardoso de Figueiredo, de Travancinha. O segundo documento refere-se, no ano seguinte, à morte do dito padre, já com 80 anos, sendo este filho de Mariana Marques Mascarenhas e de António Cardoso de Figueiredo, Sargento-Mor do Casal de Travancinha. Como nesse registo o padre não vem referido como proprietário da quinta, o que a ser era geralmente descrito no assento, nem parece ter exercido nenhum cargo paroquial, quer em Travanca quer em Lagares, pois os párocos dessa época e anterior são conhecidos, não se percebe, por enquanto, a sua ligação quer à quinta da Via quer a Travanca de Lagos.

Passado um ano, em 1782, morre na quinta José Alvares, um criado de Manuel Mendes Monteiro, proprietário de Lagares da Beira. Como se tratava de um criado a residir na Quinta, admite-se que o seu patrão fosse o proprietário da Quinta. Em 1808 aparece um registo de batismo em que os padrinhos foram António Monteiro e Maria Eufrásia, da Quinta da Via. Pelo apelido poderiam ser da família do proprietário ou talvez os caseiros. Enfim, no fim da primeira década do séc. XlX a quinta foi adquirida por um bacharel em Direito, que em 1804 terminara o seu curso em Coimbra. Chamava-se António José de Brito, era natural de Loriga, filho de outro António José de Brito e de Isabel Mendes, também de Loriga. Da sua vida passada até à vinda para Travanca apenas se sabe, porque assim ficou descrito numa dita de reconhecimento parental em 1860, que teve uma filha ilegítima de nome Custódia Mendes de Brito, tida em solteiro com Ana Rita Pinto de Abranches, ainda em Loriga, onde aí viria a ser exposta como filha de pais incógnitos. Já a residir na Quinta teve o segundo filho ilegítimo, nas mesmas condições e com a mesma Dona Ana Rita. Desta vez a criança, de nome João Pinto de Brito, foi exposta na freguesia de Travanca, em Negrelos, no dia 20 de Agosto de 1820. O Dr. António José de Brito só viria a legitimar os dois filhos, casando-se com a companheira da sua vida, em 1859, um ano antes de falecer, reconhecendo-os depois como filhos e seus legítimos herdeiros. João de Brito terá sido educado por eles desde pequeno, já a filha terá vivido em Loriga, tendo casado depois com José Mendes de Torroselo e por lá permanecido.


Este proprietário viveu no conturbado período da revolução liberal e guerra civil, muito activa nestas paragens da Beira, como já foi descrito num artigo anterior. Quando se instalou na Quinta deve ter feito obras consideráveis, melhorando bastante a segurança e as condições de vida local, visto estar bastante isolado, praticamente na fronteira entre Travanca e Lagares e, portanto, vulnerável aos roubos e às pilhagens tão comuns naquela época. Não se sabe da sua filiação político-partidária mas, a julgar pelas histórias que se contam, poderá ter sido da fação liberal. Reza a história local que o João Brandão usava a quinta, nessa época, como esconderijo quando andava foragido. De facto, na casa da quinta existem dois quartos subterrâneos, um dos quais entre a cozinha e a sala, sem janelas, com acesso apenas por alçapão, como se de um esconderijo se tratasse, podendo ser usado por algum foragido, como por exemplo o João Brandão, ou simplesmente para ele e a sua família se esconder de alguma investida bélica. Talvez por isso a casa estivesse fortificada, com grandes grades de ferro nas janelas e portas reforçadas com fitas de metal por dentro e chapa por fora, impondo-lhe um ar austero, mas seguro (fig. 8 a 11).

fig. 8 - Casa da Quinta, pormenor

fig. 9 - porta com reforço exterior a chapa de aço
fig.10 - porta da casa com reforço interior de chapa de aço

fig.11 - Casa da Quinta, pormenor do gradeamento

A casa, atualmente, encontra-se em avançado estado de ruína, aparentando ter tido uma arquitetura rural severa, onde sobressai o seu granito escuro e sombrio, mas no seu interior, pelo contrário, mostra que teve exuberância de cor, ao gosto da época, sobressaindo as pinturas figurativas nos tectos e os motivos florais nas paredes que, embora danificadas, ainda resistiram ao tempo para serem registadas parecendo, no entanto, irrecuperáveis (fig. 12 a15) …




fig. 12, 13, 14, 15 - Casa da Quinta, pormenores das pinturas figurativas dos tectos


A Quinta da Via, neste período, era próspera e rica dando guarida e sustento a muitas famílias, desde os moleiros aos caseiros. Entretanto, nos anos que se seguiram, por volta de Novembro de 1845, entra em funções um novo padre em Travanca, substituindo o pároco Ricardo António Mendes da Gama. Chamava-se Manuel Joaquim Pereira Ribeiro da Rocha, mais tarde Presbítero Arcipreste do distrito de Coimbra, cónego capitular da Sé de Coimbra, iria exercer funções até cerca de 1861. Era natural de Passos da Serra, concelho de Gouveia, residindo então em Travanca. Tinha ele uma bonita irmã mais nova que, provavelmente, seria sua visita regular, talvez desde pequena. Numa das visitas terá conhecido João Pinto de Brito, filho do Dr. António José de Brito, tendo daí nascido, mais tarde, um romance entre os dois. Casaram em 1860, ele com 40 anos e ela com 24, mas primeiro os pais do noivo, que viviam em comunhão de facto, tiveram que legitimar a sua própria relação casando-se na sua Quinta em 1859. A Dona Ana Pinto de Abranches, mãe do João de Brito, era natural de Torroselo sendo filha de José Rodrigues de Abranches e de Isabel Pinto de Torroselo. Foi uma relação de uma vida, cheia de mistério e talvez de sofrimento, aquela que teve com o Dr. António. Só depois do casamento puderam reconhecer legalmente o seu filho, então com 40 anos, após o que se deu o enlace com a irmã do Reverendo, Dona Maria José de Sousa Pinto. Ela, nascida em 1836 em Passos, era filha de José de Sousa Pinto e de Delfina Rosa, ambos de Passos da Serra. Antes de morrer, em 25 de Novembro de 1860, já com 85 anos, o Dr. António ainda assiste ao casamento do filho, sendo o irmão da noiva o padre que os casou. A esposa do Dr. António, Dona Ana da Quinta como era conhecida, vem a falecer em 1869, com 80 anos. Segue-se um novo período próspero com uma nova geração, a segunda da família Brito.

Desta união entre João Pinto de Brito e Dona Maria José de Sousa Pinto, ou Pereira da Rocha, como a proprietária algumas vezes vem mencionada no Anuário Comercial de Portugal, apelidos que lhe vêm dos avós maternos, nasceram dois filhos. O mais velho, Augusto das Mercês Pinto de Sousa e Brito (fig.16), ou Mercês como ficou conhecido em Travanca, nasce em 24/9/1871, no dia de Nossa Senhora das Mercês. O seu padrinho de batismo foi José Soares Coelho da Costa Freire. O mais novo, Manuel Eduardo (fig. 17), nasceu em 23/2/1874, tendo por padrinhos o seu tio, o Reverendo Manuel Joaquim Ribeiro Pereira da Rocha, e Dona Teresa Augusta Soares Albergaria Cabral, irmã da Dona Amélia da Quinta das Hortas.

Em 1904 morre João Pinto de Brito, com 76 anos, ficando à frente dos destinos da Quinta a sua viúva, Maria José ou Dona Maria Cónega com era conhecida na época, por associação ao irmão. Esta matriarca só virá a falecer, na sua quinta, em 1918, já com 80 anos.

fig.16 - Augusto das Mercês

fig. 17 - Manuel Eduardo de Brito

Os seus filhos tiveram vidas distintas. O Manuel Eduardo casa-se, na primeira década do séc. XX, com uma professora primária de Gouveia, talvez de Passos da Serra, terra dos seus avós maternos. No entanto deixou 3 filhos ilegítimos, que nunca reconheceu, tidos de uma bela jovem de Travanca por quem se enamorou, fruto de uma relação nunca consentida pela sua mãe pelo facto dos jovens serem de classes sociais distintas. A jovem, de nome Maria da Conceição Costa, abandonou Travanca em 1903, com os três filhos e refez a sua vida em Cascais, junto dos pais e irmãos.

fig.18 - Tuna de Travanca de Lagos em  1914, com os irmãos Augusto das Mercês e Manuel Eduardo nos extremos da foto

O Augusto das Mercês, sempre mais ligado a Travanca, teve uma vida folgada. Foi presidente da primeira Tuna de Travanca de Lagos (fig.18), onde participa também o irmão, e foi Regedor de Travanca entre os anos de 1914 e 1915. Nunca casou, mas teve também vários filhos ilegítimos. De uma das criadas da Quinta, Ana Mendes mais conhecida por Ana das Mercês, teve um filho em 1904, chamado Eduardo e, em 1905, uma filha de nome Maria das Mercês. A Maria foi educada na quinta e reconhecida como filha legítima, em 29/9/1932, por altura do seu casamento. O Eduardo e a mãe mudaram-se para o povo, onde passaram a viver numa pequena casa, já nos anos 20. Augusto Mercês teve ainda outro filho, em 1914, António Mendes, alcunha de Moio, tido de uma jovem de Travanca chamada Maria Teresa Cravo, que terá emigrado para o Brasil, tendo o filho sido criado pela avó, Conceição Cravo, até à idade de ir para a tropa.

fig. 19 - Carimbo da Quinta usado pelo Augusto das Mercês

Com a morte da Dona Maria Cónega, em 1918, fica com os destinos da Quinta da Via de Lagares o Augusto das Mercês. É nesta fase que a quinta muda de nome para Quinta das Mercês, em honra ao seu recente proprietário (fig. 19), e atinge, provavelmente, o seu apogeu, se não pelos rendimentos agrícolas, pelo menos pelas opulentas festas que dava e que se iriam tornar frequentes nesses loucos anos 20 em Travanca. O Mercês vivia dos rendimentos e tinha uma vida de luxo. Conta-se que, na época, tinha um carro, o que era uma sensação na Terra. Quando queria ir de carro da quinta até ao povo, o que era uma subida considerável, ou ia puxado por uma junta de bois ou burros ou, então, pela pequenada entusiasta que o ajudava nessa tarefa! Com o tempo, esta vida faustosa levou ao declínio da Quinta, às hipotecas, à ruína. Em 1930 morre a sua governanta, pessoa que ele muito estimava, ficando a viver só com a filha. Vende o que tem e muda-se para Viseu, onde investe numa empresa de material de construção, A Combatente. Casa a filha em 24/9/1932, no dia em que fazia 61 anos de idade, perdendo-se depois o seu rasto. Contava o Sr. Ivo que teria morrido em Vil de Moinhos, freguesia de Viseu.

Por volta de 1930, a quinta, já hipotecada, foi adquirida por Alexandre Marques Fernandes, um abastado emigrante no Brasil, natural de Lagares da Beira. Segundo conta um familiar, teria feito fortuna com um elixir para o cabelo chamado Juventude Alexandre (fig. 20), muito popular no Brasil, um produto eficaz que restaurava a cor natural do cabelo e que lhe valera, para além da fortuna, um prémio internacional obtido em Paris. Segundo é referido por  Carla Francini Terci, terá sido comercializado no Brasil desde o ano de 1908 até cerca de 1960. O engraçado, segundo o sobrinho, é que o tio sendo careca não podia usufruir da sua fórmula! Ainda hoje se produz em Portugal, embora a patente tenha deixado de pertencer à família, é comercializado pelo laboratório Gestafarma.

fig. 20 - Anúncio na revista Fon-Fon, Brasil  1930

Entretanto o senhor, não tendo filhos, deixou, logo à partida, a propriedade para os seus 4 irmãos que, ainda em 1932, a escrituraram e dividiram pelos quatro, tendo todas as partes cerca de 4 hectares (fig. 21).

fig. 21 - Carta militar com o pormenor da divisão da Quinta em 4 partes, aproximadamente


António Marques Fernandes, na época solteiro, proprietário da Quinta do Borralhal, em Lagares da Beira, viria a casar e viver em Maceirinha, Seia, e mais tarde emigraria para o Congo, ficou com a parte que continha a casa de residência da Quinta, o lagar e terreno misto.

Adelino Marques Fernandes, casado com Blandina de Figueiredo Fernandes, ficou com a parte que continha a casa dos Caseiros, a forja, a mina e, claro, terra com fartura.

Agostinho Marques Fernandes e a esposa, Dona Maria Augusta Fernandes, ficaram com a parte da quinta a sul, mais perto de Travanca.

Dona Elisa do Rosário Fernandes e o marido, António Mendes Gonçalves, ficaram com o estremo norte da quinta, fronteiro ao rio Cobral, contendo os chamados Moinhos da Via.

Nenhum dos quatro irmãos chegou a viver na quinta mas, também, esta nunca esteve desocupada. Na casa principal, pertença de António M. Fernandes, passou a viver como caseiro, desde essa altura, José da Costa e sua família, naturais de Travanca, cuidando dessa parte da quinta. Mais tarde, uma filha, chamada Conceição Costa, casa com Joaquim Carvalho, Saca de alcunha, passando a residir lá com a família que foi formando e tomando conta dessa parcela. Na casa ao lado, a dos caseiros, pertença do Adelino, passa a viver outra filha de José da Costa, Maria das Dores da Costa, quando casa com António da Costa Brito, conhecido pela alcunha do Forcas, activando a forja que se situava no piso inferior. Viveram lá até meados dos anos 80. Esta parcela foi, na última década, comprada por um casal Norueguês.

Nos anos 50, na parcela referente à Dona Elisa viveu uma filha, conhecida por Marquinhas, casada com um senhor, também de Lagares da Beira, chamado Francisco Coelho, (fig. 24). Teve ainda outra filha conhecida por Teresinha. Posteriormente esta parcela teve como caseiro, até meados dos anos 90, o senhor Albertino Marques Miguel, conhecido por Coradinho. Actualmente a propriedade também já foi vendida a um casal de Ingleses. A parcela do Agostinho também foi vendida, encontrando-se novamente à venda.

fig. 24 - Casa de habitação e moinho de água reconstruidos

fig. 25 - Ruínas de um moinho de água da Quinta

fig. 26 - Paisagem da Quinta com pormenor de uma casa de habitação junto ao moinho ruído


Só a quinta de António Marques Fernandes ainda está na posse dos herdeiros. O seu proprietário actual, o Dr. António Pinto Fernandes, residente no Porto, tem-na à venda. Segundo ele conta, a quinta teve um projecto de requalificação que previa a reconstrução da antiga residência, com a recolocação da sua antiga e majestosa chaminé, mas, infelizmente, o projecto não avançou.
Resta portanto, para bem da história e do património, que alguém sensível a estas questões, e também com gosto pela terra e pela nossa Terra, lhe queira repor novamente a glória de outros tempos, dando àquele granito patinado nova vida, novo rumo!

Agradecimentos,
Fotos – 16,17,19 – Maria Eduarda Garcia
Foto 18 – António Manuel Soares
Foto 20 – Carla Francini Hidalgo Terci



domingo, 16 de agosto de 2015

Os Bensabat



 Uma família Judia em Travanca de Lagos



Fig.1
Em tempos, viveu em Travanca de Lagos uma família de apelido Bensabat. Pertencia a uma rica família judia Lisboeta, com residência num sumptuoso palacete, junto ao Jardim Zoológico, em Lisboa. Descendiam de judeus sefarditas alocados em Marrocos que terão regressado às origens, no inicio do séc. XIX, coincidindo com o enfraquecimento da inquisição e a sua extinção em Portugal em 1821.

A história desta família em Travanca terá começado quando Marcos Bensabat, nascido em Lisboa em 1851, de 42 anos, filho do General Marcos Moheluf Bensabat, que se destacou na política com seu pai, Levy Bensabat, na luta contra o Absolutismo de D. Miguel, casou com uma empregada da família, Maria Agripina da Silva, de 20 anos, que cedo terá ido servir para a capital, e era natural de Travanca. Ela nascera em 18/08/1873, filha de Rita de Jesus, também de Travanca. Dessa união nasceram 6 filhos, Dinah, Levy, Irene, Eurico, Marcos e Helena Bensabat.


Fig.2

Nos anos que se seguiram terão passado longos tempos em Travanca e, com esse intuito, terão construído casa entre o fim do séc. XIX e o início do séc. XX. Uma bela casa beirã, onde o granito era rei, mas curiosamente o azulejo compunha a fachada principal (fig,1). Essa peculiar característica poderá ser ainda uma reminiscência da cultura Marroquina, onde a família tinha raízes. No centro da fachada encontra-se um frontão circular com uma inscrição (fig,2), um hino à mulher, “ce que femme veut, Dieu le veut”, leia-se, o que a mulher quer, Deus o quer (isto é, a mulher exerce tal influência que consegue sempre o que deseja). Esta poderá ser uma alusão à satisfação do desejo de Maria Agripina de ter casa na sua terra natal. No centro vê-se um símbolo que se presume possa ser o selo da família, ou seja, as iniciais M e B de Marcos Bensabat.

Fig.3
Contudo, a família desapareceu de Travanca tendo sido a filha mais nova, Helena Bensabat, o último membro da família a morar na casa, nos anos 60 do séc. XX. Em meados da década de 70 a casa foi adquirida pela família Faria, que ainda a ocupa atualmente, sendo conhecida por Vivenda do Pinheiro (fig.3).

domingo, 2 de agosto de 2015

A Tuna Travanquense



A Tuna Travanquense 

contributos para a sua história



fig.1 - Estandarte da tuna Travanquense


A Tuna de Travanca de Lagos foi durante décadas, juntamente com o grupo cénico (este provavelmente de inicio mais tardio), um dos ex-líbris da aldeia. A sua criação, para além de desempoeirar o panorama cultural de então, veio animar, com certeza, os bailaricos e as festas da povoação. A sua presença impor-se-ia em cerimónias e acontecimentos solenes e seria presença assídua nas festas de São Pedro.



De cariz popular, à semelhança de muitas outras tunas da sua época cujos reportórios, segundo Francisco Vieira, representariam a mais genuína tradição musico-coriográfica da província, compondo-se de fandangos, verdegaios, chotiças, valsas, sobretudo de 2 passos, bailaricos, contradanças e corridinhos, e os seus principais instrumentos seriam o harmónio, a gaitinha, a guitarra e a flauta.


Fig.2 - Sociedade  Beneficente e Recreativa, nos anos 20



Se na sua génese terá sido constituída essencialmente por “músicos de ouvido”, com o tempo, tornou-se uma verdadeira escola de música, formando várias gerações, desde pais a filhos. A sua sede seria na Sociedade Beneficente e Recreativa, antiga Casa do Povo ("velha") (fig.2). Mas, com o passar dos anos a tuna foi perdendo o fulgor, por um lado, talvez devido aos sucessivos surtos migratórios que foram assolando a região, quer para África e Brasil, quer para a capital, por outro lado, também devido ao aparecimento de novas modas e agrupamentos musicais, como o rock-roll, grupos de baile e a chegada das aparelhagens, etc., que terão retirado à tuna espaço e protagonismo, até que desapareceu em meados dos anos 50 do séc. XX.

No entanto, ainda em meados dos anos 40, a tuna conheceu um novo impulso com a criação dum organismo denominado C.A.T., Centro de Alegria no Trabalho, da Casa do Povo de Travanca de Lagos, integrando também o grupo de teatro local, cuja direção era presidida pelo Dr. Álvaro dos Santos Madeira e secretariada por Ivo Teles Nunes Pereira (fig.3), período no qual se promoveram diversos espetáculos conjuntos com imenso êxito que, geralmente, se iniciavam com uma récita seguida de baile pela noite dentro.



Fig.3 - Casa do Povo (nova) -1944

A título de curiosidade, já no final dos anos 20, o período florescente da Tuna, em todos os aniversários que Luís Martins Borges (fig.4) celebrava em Travanca, por altura de 15 de Setembro, o grupo musical tinha por tradição tocar o seu reportório à porta de sua casa (fig.5) e o distinto senhor, um dos patronos da tuna nessa época e um grande benfeitor de Travanca, mandava-os subir e oferecia bolos e vinho.

Fig.4 - Luis Martins Borges
  
Fig.5 - Antiga casa de Luis Martins  Borges em Travanca

Após um longo período de esquecimento, só nos anos 90 a tuna voltaria a ser referida quando foi descoberto, por acaso, na casa do povo, o seu estandarte (fig.1) e uma foto antiga de conjunto, por essa altura, já era desconhecida da maioria das novas gerações (fig.6). Essa foto foi aqui publicada, em 2008, sob o título “crónicas da minha terra cap. I”, tendo-se identificado todos os elementos que a compunham e datado como sendo de 1929/30. Essa preciosa tarefa, que aliás marca o início deste blogue como o despertar para a história de Travanca, foi realizada com a ajuda dos inestimáveis irmãos Nunes Pereira, o Sr. Ivo, que com a sua prodigiosa memória muitas vezes desbloqueou as charadas históricas que foram aparecendo, e o Sr. Pereira, um homem culto e de grande lucidez, que, como foi dito então, faziam parte da tuna quando crianças, infelizmente falecidos no ano transato, contavam já mais de 95 anos.


Fig.6 - Tuna Travanquense 1929/30

Por essa altura, o Sr. Ivo revelou que houve uma 1ª fase da tuna, anos antes, no início do séc. XX, onde o pai participava e era presidente o mítico Mercês. Na ocasião, era impensável recuar na história da tuna até ao inicio do século mas, recentemente, numa recolha de fotografias antigas pude apreciar uma foto surpreendente, que poderá estar relacionada com essa 1ª tuna. Uma foto de época, belíssima, reveladora dos 1ºs passos do séc. XX em Travanca, e que aqui se edita pela 1ª vez (fig.7). Pertencia ao espólio de Teodorico da Silva Aires, também retratado na foto, estando presentemente na posse do atual presidente da junta, o Sr. António Manuel Soares, que gentilmente ma permitiu reproduzir.

Fig.7- Tuna Travanquense 1909/14


A árdua tarefa que tem sido investigar esta foto agora que, infelizmente, não podemos contar com a ajuda dos saudosos irmãos Nunes Pereira, conta com mais de um ano de pesquisa, tendo-se já identificado aproximadamente 50% dos retratados e concluído que terá sido tirada por volta de 1909/14.



No decurso da investigação foram-se conhecendo mais tunos, desta fase anterior do agrupamento musical, que não constam desta foto como, por ex., o caso de Manuel da Silva Neto (fig.9), o conhecido proprietário e negociante de Travanca do inicio do séc. XX, que tinha uma loja comercial chamada “A Nova Aurora”, com residência no 1º andar (fig. 8), existido ainda a flauta com que tocava, atualmente na posse da sua sobrinha, Dona Conceição Brito, ou ainda, o caso de António Nunes Pereira, conhecido por António Carteiro, pai do Sr. Ivo, que não parece constar na foto, e que era o responsável pela distribuição do correio em Travanca, chegando a ter os 4 filhos na tuna da geração seguinte (fig.10).



Fig.8 - Loja Comercial e residência da família Silva Neto
Fig.9 - Manuel da Silva Neto


Por outro lado, para além de reportar a tuna, esta foto permite-nos recuar no tempo, até ao final do séc. XIX, podendo contribuir assim, também, para o estudo das famílias de Travanca. Nesse sentido, identificaram-se algumas famílias que, tendo tido relevância na sua época, estão hoje desaparecidas de Travanca e são desconhecidas da população, de um modo geral. São disso exemplo a família Ayres, ou Aires, a família Ibérico Nogueira e a família dos Mercês, que na foto foram identificadas.



                                                            Fig.10 - António Nunes Pereira e família

Descodificando esta obra de arte (fig.7), destacado na foto, ao centro, de chapéu de coco e bigode retorcido, a sua figura distinta chamando a atenção, Teodorico da Silva Aires, nascido em Travanca em 1878, uma personagem com alguma relevância no seu tempo, teve a seu cargo o correio e o registo civil. Embora de profissão fosse sapateiro, ocupação que vinha de família por parte do pai e do avô, era comerciante, proprietário de uma sapataria. Foi também regedor em 1917. A casa de família era no Outeiro, junto à Morrota (fig.11).

Fig.11 - Antiga casa da família Aires  de Travanca de Lagos


À direita na foto, de guitarra ao colo e com ar de bon vivant, está Luís Ibérico Nogueira, um jovem travanquense, nascido em 1891, que talvez tenha tido influência no surgimento da tuna em Travanca, pois frequentava o seio estudantil de Coimbra, onde viria a licenciar-se em Medicina. Conta o seu sobrinho neto, José Ibérico Nogueira, que foi um boémio inveterado, guitarrista e cantor, poeta, letrista e escritor, com vários livros publicados. Participou em muitos eventos musicais, na academia de Coimbra, até ao final dos anos 20. Era um apaixonado pela música. Após concluir o curso de Medicina e casar, rumou a Valença do Minho, região de origem de sua mãe, Dona Dolores Portas.



O jovem robusto que se encontra de pé em 1º lugar, do lado oposto da foto, é o seu irmão António Ibérico Nogueira, nascido em 1883, e que na altura frequentava a Escola Militar em Lisboa. Segundo conta o seu neto, José Ibérico Nogueira, ele foi capitão de Cavalaria, tendo comandado o regimento de Cavalaria em Nelas até 1919, ocasião em que foi preso e deportado por ter aderido à chamada Revolta do Norte, tendo nessa altura proclamado a monarquia em Santar, na varanda de sua casa, com o seu filho ao colo, embrulhado numa bandeira azul e branca, a bandeira monárquica. Era, portanto, um homem de convicções fortes que lutou pelos seus ideais. Contudo, após ser amnistiado, fez a sua vida em Santar, terra onde casou, não tendo voltado a Travanca.



Fig.12 - Antiga casa da família Ibérico Nogueira de Travanca de Lagos



A história do nome desta família é bastante curiosa. Viviam na casa da atual Junta de Freguesia (fig.12) e o pai de ambos, também capitão, Francisco Augusto da Costa Nogueira casara com uma senhora espanhola, de Vigo, Dona Dolores Portas. Por essa razão, quando estava na tropa, para o diferenciarem de outros Nogueiras, deram-lhe a alcunha de Nogueira Ibérico, mas tendo achado graça ao nome, quando teve filhos, decidiu juntar esse apelido ao de sua família, trocando somente a ordem para não perder o vínculo familiar. Nasceu, assim, a família Ibérico Nogueira em Travanca de Lagos.



Também na foto, a representar a família dos Mercês, estão os irmãos Pinto de Brito, filhos dos ricos proprietários João Pinto de Brito e Dona Maria José Ribeiro da Rocha, distinta senhora, conhecida por Dona Cónega por ser irmã do Reverendo Presbítero, Arcipreste do distrito, Manuel Joaquim Ribeiro da Rocha, que fora prior em Travanca. Viviam na quinta de família, a Quinta da Via de Lagares conhecida mais tarde por quinta das Mercês, e na sua residência em Travanca, na casa das Campas (fig.13).

Fig. 13 - Antiga casa da família Pinto de  Brito de Travanca de Lagos


Assim, à direita da foto, de fatinho branco, distingue-se Augusto Pinto de Brito, proprietário nascido em 1871, que assinava Augusto das Mercês. Era o presidente da tuna e talvez o seu sustentáculo, visto ter sido um homem bastante rico. Nos anos 20, ficaram conhecidas as festas que dava na sua Quinta das Mercês. Contudo, no inicio dos anos 30, terá vendido todas as suas propriedades e rumado à região de Viseu.



Sentado do lado oposto, também empunhando uma guitarra, identifica-se Manuel Eduardo Pinto de Brito, seu irmão, nascido na quinta da Via, em Travanca, em 1873. Dele sabe-se que casou em Gouveia, no inicio do séc. XX, e que por lá terá feito a sua vida. Aqui, na foto, já estaria casado, encontrando-se, muito provavelmente, de visita a Travanca num acontecimento festivo.



Ainda se identifica na foto, sem total certeza, o 2º jovem que se encontra de pé, à esquerda, como sendo António Baeto, morador no Outeiro, e que assumia na tuna da geração seguinte a responsabilidade do porte da caixa dos papéis de música. Lamenta-se que essa caixa não tenha chegado aos nossos dias pois seria, com certeza, muito reveladora. Por fim, ao centro da imagem, a tocar harmónio, está uma pessoa que se deduz que seja o Sr. Geadas, da família dos Fogueiras, visto que, segundo consta, durante muitos anos foi ele o único a dominar esse instrumento em Travanca.


Os restantes elementos ainda não foram identificados.Fica, assim, em aberto esta pesquisa, aguardando a qualquer momento novas descobertas, esperando o contributo de todos para levar a cabo esta tarefa, que é, reconstituir a história de Travanca.

domingo, 9 de novembro de 2014

Quintas e Lugares de Travanca de Lagos



Quinta das Hortas


fig. 1 

A Quinta das Hortas, hoje ampliada e com o nome de Quinta de santa Cruz, é uma propriedade muito antiga de Travanca, embora só referenciada nos registos paroquiais da freguesia no 3º quartel do séc. XIX, supõe-se ser muito mais antiga, a julgar pela interpretação que se faz do seu património edificado.

fig. 2. Casa da Quinta de Santa Cruz


É uma quinta romântica, charmosa, centrada na sua casa secular. Situada na vertente ocidental de Travanca, tem uma vista privilegiada sobre a zona histórica da aldeia, encerrando em si muitos lugares de encanto e, com certeza, muitas histórias por contar na sua já longa existência.



Fig. 2 - Vista da quinta sobre travanca


Um portão férreo, elegante, muito bem trabalhado, serve a entrada da quinta (fig 3). Ao transpô-lo, a vegetação envolvente, bastante arborizada, transporta-nos para uma quinta de Sintra, de onde, aliás, o portão é originário.


fig. 3 - Entrada principal

Esta quinta, agora de Santa Cruz, tem como ex-libris uma antiga nascente, duma água pura, cujas qualidades medicinais foram atestadas em 1924, por Charles Lepierre, diretor do laboratório de química analítica do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que conclui ser "puríssima, sem contaminação orgânica, muito pouco mineralizada, excelente água de mesa, levíssima, do tipo Alardo ou Luso". Esta encontra-se à superfície num magnífico tanque (fig. 4 e 5), talhado em granito e fielmente preservado pelos seus atuais proprietários. A encobri-lo parcialmente mantém-se um secular cedro, ele próprio um monumento vivo de arte e resistência (fig.6).


Fig. 4 - Tanque da nascente, uma prespetiva
Fig. 5 - Tanque da nascente, outra prespetiva




Fig. 6 - Cedro secular, com 3,35 m de perímetro


A casa impressiona pela sua grandiosidade e também pelos pormenores de bom gosto. Na frontaria mantêm preservado, com enorme sentido estético, o cepo gigante do antigo eucalipto, com 6,77 m de perímetro que, outrora, fora um dos símbolos da propriedade. Os seus caminhos, pátios e varandas vão preenchendo o nosso imaginário (fig. 7 a 9).


Fig.7
Fig.9
Fig. - 8 











Foi no passado uma quinta agrícola, de terra fértil e com abundância de água, e talvez daí lhe advenha o antigo nome de Quinta das Hortas. Ela é, sobretudo no imaginário do povo de Travanca, uma quinta de Família, de ricos proprietários.
Na última metade do séc. XIX,  a casa foi habitada pela família Soares de Albergaria ou, também, Soares da Costa (Freire), conforme se considere o ramo materno ou paterno dos ascendentes de Travanca, da linha materna, visto que a linha paterna era de Nogueira do Cravo.


Fig. 10 - José de Campos Freire
Fig. 11 - Maria Amélia Soares de Albergaria

Em 1889 nasce na quinta, sendo esse o 1º registo a mencionar a quinta encontrado nos livros paroquiais da freguesia, José Soares de Albergaria  Costa Freire (fig. 13 ), filho de José de Campos Freire (fig. 10), juiz escrivão da comarca do município de Oliveira do Hospital, natural de Nogueira do Cravo e de Maria Amélia Soares de Albergaria (fig. 11 ), natural de Maceira, Sªº Tiago de Ceia, mas cujo pai João Soares da Costa Freire era natural de Travanca de Lagos. Terá sido esta a linha de ascendência da qual a quinta terá sido herdada. Tiveram duas outras filhas, nascidas em Nogueira do Cravo, uma em 1875, Dona Jerónima Dulce Campos Soares de Albergaria Cabral (fig.12 ), outra em 1882, Maria Ernestina, que faleceu prematuramente, na Quinta das Hortas, com apenas 8 anos de idade. A família terá permanecido na quinta até cerca de 1915, altura em que José Soares Albergaria da Costa Freire terá vendido a propriedade e rumado ao Rio de Janeiro, Brasil, local onde terá vivido até ao ano da sua morte, em 1950. Segundo consta, deixou vários filhos ilegítimos em Travanca. A sua mãe, Dona Maria Amélia, falecera com 50 anos, viúva, em Abril de 1907. A sua irmã casara em fevereiro desse ano, no Luso, com Abílio Lopes Gomes, natural de Leiria. Desse tempo faustoso ainda chegou à atualidade um livro de receitas, assinado pela matriarca, Dona Maria Amélia, intitulado – Livro de Receitas da Quinta das Hortas - existindo atualmente uma copia na posse dos mais recentes  proprietários.



Fig.12 - Jerónima Dulce S. A. Cabral 
Fig.13 - José S. A. Costa Freire















Os novos proprietários da quinta, a família de José Estêvão Godinho de Vasconcelos, vindos do norte, primos de Antonino Godinho de Santo Amaro, iniciariam um novo período de prosperidade e opulência, tendo ficado célebre as suas festas e bailes privados no 1º quartel do séc. XX. Das 7 filhas do agregado, duas casaram com dois irmãos de apelido Barata, naturais de Carragosela, a Dona Conceição Barata, que viveu na casa ao lado da escola primária e a Dona Cristina Barata, que viveu na casa em frente ao café Carioca, ambas no Entroncamento.



Fig.15 - Pormenor das ruínas
fig.14 - Quinta das Hortas em ruínas 



Quando o atual proprietário, o Sr. Engº. Francisco Manuel da Cruz, adquiriu a propriedade em 1988, a casa já se encontrava em ruínas há mais de quatro décadas (fig 14 e 15). Foi necessário uma reconstrução total e em muitos aspetos foi melhorada e ampliada. Hoje é um encanto podê-la apreciar de novo. Assim outras quintas pudessem ter o mesmo destino, como é o caso da enigmática Quinta das Mercês, uma obra secular, gigantesca, em ruínas…